Petróleo supera US$ 105 e amplia pressão sobre combustíveis e inflação
Escalada dos conflitos no Oriente Médio eleva preços internacionais do petróleo e aumenta preocupação com combustíveis, fretes e inflação no Brasil.
O preço internacional do petróleo subiu mais de 4% nesta quinta-feira, 10 de setembro, e ultrapassou US$ 105 por barril. A valorização ocorreu em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e às preocupações com o transporte da commodity por importantes rotas marítimas.
O petróleo Brent, utilizado como referência internacional, alcançou o maior nível dos últimos meses. O petróleo norte-americano WTI também superou a marca de US$ 100 por barril.
Conflitos ameaçam rotas de transporte
A nova alta foi provocada pelo aumento dos ataques contra embarcações e pelo avanço dos houthis no Iêmen. O grupo assumiu o controle da cidade portuária de Mocha, próxima ao estreito de Bab el-Mandeb, uma das rotas estratégicas para o comércio internacional de petróleo.
Também cresceram as preocupações com a segurança da navegação nas proximidades do estreito de Hormuz. Uma parcela importante da produção mundial passa diariamente por essas regiões.
Quando surgem riscos de interrupção do fornecimento ou dificuldades para a passagem de navios, os mercados costumam antecipar possíveis problemas e elevar o preço do barril.
Possíveis efeitos no Brasil
A alta internacional não significa que os preços da gasolina e do diesel aumentarão automaticamente nos postos brasileiros. O valor pago pelo consumidor também depende do câmbio, dos impostos, da política de preços da Petrobras, dos custos de distribuição e das margens praticadas pelos postos.
No entanto, a manutenção do petróleo acima de US$ 100 aumenta a pressão sobre os preços internos. Caso o real se desvalorize diante do dólar, o impacto potencial sobre os combustíveis pode ser ainda maior.
Combustíveis mais caros também afetam o transporte de mercadorias, os fretes e os custos de produção. Esses efeitos podem chegar aos alimentos e a outros produtos consumidos pelas famílias, contribuindo para uma elevação da inflação.
Desafio para as medidas do governo
A valorização do petróleo ocorre depois de o governo anunciar recursos para subsidiar o diesel e outros combustíveis. A medida procura reduzir os efeitos dos preços sobre transportadores e consumidores, mas uma alta prolongada no mercado internacional poderá diminuir parte desse alívio.
O cenário exigirá acompanhamento das cotações, do câmbio e das decisões da Petrobras. Também caberá ao governo avaliar se as medidas anunciadas serão suficientes caso a instabilidade internacional continue.
Por enquanto, não é possível saber quanto tempo a alta permanecerá nem qual será seu efeito efetivo sobre os preços brasileiros. O resultado dependerá da duração dos conflitos, da segurança das rotas marítimas e das condições de oferta mundial de petróleo.
As informações sobre as cotações e os conflitos internacionais foram divulgadas pela Reuters, Associated Press e veículos nacionais de imprensa.
