Economia

Petróleo supera US$ 105 e amplia pressão sobre combustíveis e inflação

Escalada dos conflitos no Oriente Médio eleva preços internacionais do petróleo e aumenta preocupação com combustíveis, fretes e inflação no Brasil.

Por Saulo Bezerra · 10 de setembro de 2026 · 11h04
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Navio petroleiro atravessa uma rota marítima estratégica sob céu carregado, com instalações portuárias ao fundo.

O preço internacional do petróleo subiu mais de 4% nesta quinta-feira, 10 de setembro, e ultrapassou US$ 105 por barril. A valorização ocorreu em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e às preocupações com o transporte da commodity por importantes rotas marítimas.

O petróleo Brent, utilizado como referência internacional, alcançou o maior nível dos últimos meses. O petróleo norte-americano WTI também superou a marca de US$ 100 por barril.

Conflitos ameaçam rotas de transporte

A nova alta foi provocada pelo aumento dos ataques contra embarcações e pelo avanço dos houthis no Iêmen. O grupo assumiu o controle da cidade portuária de Mocha, próxima ao estreito de Bab el-Mandeb, uma das rotas estratégicas para o comércio internacional de petróleo.

Também cresceram as preocupações com a segurança da navegação nas proximidades do estreito de Hormuz. Uma parcela importante da produção mundial passa diariamente por essas regiões.

Quando surgem riscos de interrupção do fornecimento ou dificuldades para a passagem de navios, os mercados costumam antecipar possíveis problemas e elevar o preço do barril.

Possíveis efeitos no Brasil

A alta internacional não significa que os preços da gasolina e do diesel aumentarão automaticamente nos postos brasileiros. O valor pago pelo consumidor também depende do câmbio, dos impostos, da política de preços da Petrobras, dos custos de distribuição e das margens praticadas pelos postos.

No entanto, a manutenção do petróleo acima de US$ 100 aumenta a pressão sobre os preços internos. Caso o real se desvalorize diante do dólar, o impacto potencial sobre os combustíveis pode ser ainda maior.

Combustíveis mais caros também afetam o transporte de mercadorias, os fretes e os custos de produção. Esses efeitos podem chegar aos alimentos e a outros produtos consumidos pelas famílias, contribuindo para uma elevação da inflação.

Desafio para as medidas do governo

A valorização do petróleo ocorre depois de o governo anunciar recursos para subsidiar o diesel e outros combustíveis. A medida procura reduzir os efeitos dos preços sobre transportadores e consumidores, mas uma alta prolongada no mercado internacional poderá diminuir parte desse alívio.

O cenário exigirá acompanhamento das cotações, do câmbio e das decisões da Petrobras. Também caberá ao governo avaliar se as medidas anunciadas serão suficientes caso a instabilidade internacional continue.

Por enquanto, não é possível saber quanto tempo a alta permanecerá nem qual será seu efeito efetivo sobre os preços brasileiros. O resultado dependerá da duração dos conflitos, da segurança das rotas marítimas e das condições de oferta mundial de petróleo.

As informações sobre as cotações e os conflitos internacionais foram divulgadas pela Reuters, Associated Press e veículos nacionais de imprensa.