Economia

Mercado reduz previsão de inflação, mas também diminui estimativa de crescimento

Boletim Focus projeta IPCA de 4,9% e crescimento de 1,89% em 2026. Economistas esperam corte de 0,25 ponto na Selic nesta semana.

Por Saulo Bezerra · 14 de setembro de 2026 · 12h03
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Balança compara uma cesta de alimentos com representações da indústria e da construção, diante de documentos com indicadores econômicos.

O mercado financeiro reduziu para 4,9% a projeção de inflação em 2026, mas também diminuiu sua expectativa para o crescimento da economia brasileira. Os dados constam no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 14, pelo Banco Central.

A nova estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo representa uma redução de 0,1 ponto percentual em relação à semana anterior, quando a previsão estava em 5%.

É a primeira vez desde maio que a projeção do mercado para a inflação deste ano fica abaixo de 5%.

Inflação melhora, mas permanece acima do teto

A revisão representa uma melhora nas expectativas, embora o índice projetado continue acima do limite estabelecido pelo sistema de metas.

A meta central de inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Dessa forma, o teto é de 4,5%.

Caso a projeção de 4,9% se confirme, a inflação terminará o ano 0,4 ponto percentual acima desse limite.

A redução da estimativa ocorreu após o IPCA registrar deflação de 0,32% em agosto. O resultado foi influenciado pela diminuição da conta de energia elétrica, além de quedas nos preços das passagens aéreas, dos combustíveis e de alguns alimentos.

Parte desse alívio, entretanto, pode ser temporária. No caso da energia elétrica, a redução contou com o efeito do bônus de Itaipu concedido aos consumidores.

Para 2027, o mercado elevou ligeiramente a estimativa de inflação, de 4,29% para 4,30%. As projeções para 2028 e 2029 foram mantidas em 3,8% e 3,5%, respectivamente.

Crescimento econômico perde força

Enquanto a previsão de inflação apresentou melhora, a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto foi reduzida.

Os economistas consultados pelo Banco Central diminuíram a projeção de crescimento da economia em 2026 de 1,93% para 1,89%. Esse é o menor percentual registrado pelo levantamento desde o final de maio.

A revisão indica que o mercado espera uma expansão mais moderada da atividade econômica. Juros ainda elevados, menor ritmo do consumo e cautela nos investimentos podem limitar o crescimento ao longo do ano.

A combinação revela as duas faces do atual cenário econômico: a perda de força da atividade pode contribuir para reduzir a pressão sobre os preços, mas também pode afetar a geração de empregos, a renda e os investimentos.

Expectativa de novo corte na Selic

O Comitê de Política Monetária do Banco Central se reúne nesta semana para decidir o futuro da taxa básica de juros.

A expectativa predominante entre os economistas é de uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a Selic dos atuais 14% para 13,75% ao ano.

O mercado também projeta que esse deverá ser o último corte de 2026 e que a taxa encerrará o ano em 13,75%.

Para os anos seguintes, as estimativas foram mantidas em 12% para 2027, 10,5% para 2028 e 10% para 2029.

Mesmo com a possível redução, os juros permanecerão em patamar elevado. A estratégia busca conter a inflação, mas também encarece o crédito e dificulta a recuperação mais intensa da economia.

Dólar permanece estável nas projeções

A estimativa para a cotação do dólar no encerramento de 2026 foi mantida em R$ 5,20. Essa previsão permanece inalterada há 13 semanas.

A estabilidade mostra que, apesar das incertezas internas e externas, o mercado ainda não prevê uma mudança expressiva na cotação da moeda até o final do ano.

Entretanto, fatores como a situação fiscal brasileira, o cenário eleitoral, os preços internacionais do petróleo e as decisões de juros nos Estados Unidos podem alterar as projeções ao longo dos próximos meses.

Um equilíbrio ainda distante

Os resultados do Focus mostram uma melhora parcial no cenário inflacionário, mas não autorizam uma avaliação de problema resolvido.

A inflação projetada continua acima do teto da meta, enquanto a expectativa de crescimento econômico perdeu força. O desafio do Banco Central será continuar reduzindo a pressão sobre os preços sem provocar uma desaceleração ainda maior da atividade.

Para o governo, a dificuldade será conciliar o controle das despesas públicas, a preservação dos investimentos e a manutenção de políticas sociais sem ampliar as incertezas fiscais.

Próximos passos

A decisão do Copom nesta semana será o próximo indicador importante. Além do tamanho do eventual corte, o mercado acompanhará o comunicado do Banco Central em busca de sinais sobre os juros nos meses seguintes.

Também será necessário observar se a redução da inflação continuará depois do efeito temporário da energia elétrica e se os próximos indicadores confirmarão a perda de ritmo do crescimento.

O Boletim Focus reúne semanalmente as projeções de instituições financeiras e consultorias para os principais indicadores da economia. As estimativas representam expectativas do mercado e podem ser alteradas conforme novos dados sejam divulgados.

As informações foram divulgadas pelo Banco Central e publicadas pela Folha de S.Paulo.