Lula critica poder das superpotências e cobra mudanças na ONU
Em discurso na Assembleia Geral, presidente afirmou que a ONU perdeu credibilidade diante das guerras e defendeu mudanças capazes de ampliar a representação e a autoridade da organização.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu nesta terça-feira o debate entre chefes de Estado da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, com críticas ao funcionamento da organização e à atuação das grandes potências.
Lula afirmou que o mundo enfrenta o crescimento de conflitos e decisões unilaterais tomadas por países com maior poder militar, econômico e político. Segundo ele, esse cenário reduz a capacidade das instituições internacionais de impedir guerras e proteger as populações mais vulneráveis.
O presidente brasileiro declarou que a credibilidade da ONU atravessa um de seus momentos mais baixos. Em sua avaliação, a organização não tem conseguido cumprir plenamente uma de suas principais missões: preservar a paz e evitar que disputas entre países sejam resolvidas pelo uso da força.
Lula também voltou a criticar a estrutura do Conselho de Segurança. O órgão é formado por 15 países, mas apenas Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido possuem assento permanente e poder de veto.
O Brasil defende há vários anos a ampliação do Conselho, com maior participação de países da América Latina, da África e de outras regiões que ganharam importância política e econômica desde a criação das Nações Unidas.
Durante o pronunciamento, Lula sustentou que nenhuma potência deve agir como se estivesse acima das normas internacionais. Para o governo brasileiro, as relações entre os países devem respeitar a soberania nacional, o diálogo diplomático e a busca de soluções negociadas para os conflitos.
O discurso reforçou uma das principais linhas da política externa do atual governo: a defesa do multilateralismo e de uma ordem internacional na qual países de diferentes dimensões tenham maior participação nas decisões globais.
A manifestação ocorre em um momento de guerras prolongadas, disputas comerciais e crescente tensão entre as principais potências. Esse ambiente também aumenta os questionamentos sobre a capacidade da ONU de mediar crises e fazer cumprir suas decisões.
Após o Brasil, o presidente dos Estados Unidos ocupa a tribuna da Assembleia Geral. As diferenças entre as duas manifestações poderão revelar visões distintas sobre soberania, cooperação internacional, conflitos armados e o futuro das Nações Unidas.
