Internacional

Líderes renovam compromisso global contra futuras pandemias

Reunião de alto nível da ONU defendeu investimentos contínuos, sistemas de saúde mais resistentes e acesso igualitário a vacinas, testes e tratamentos. Parte essencial do acordo internacional ainda precisa ser concluída.

Por Saulo Bezerra · 27 de setembro de 2026 · 11h48
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Reunião internacional com representantes de diversos países diante de um globo, acompanhada de microscópio, frascos de laboratório e símbolo de proteção à saúde. A imagem destaca: “Futuras pandemias — líderes renovam compromisso global”.

Líderes políticos reunidos na Assembleia Geral das Nações Unidas renovaram o compromisso de fortalecer a prevenção, a preparação e a resposta internacional a futuras pandemias. O encontro ocorreu na sede da ONU, em Nova York, e reuniu representantes de governos, organismos internacionais e entidades da sociedade civil.

A reunião foi a segunda promovida pela Assembleia Geral especificamente sobre o tema. A primeira ocorreu em 2023, após a pandemia de Covid-19 revelar deficiências nos sistemas de saúde, na cooperação internacional e na distribuição de vacinas, testes e medicamentos.

Os participantes defenderam investimentos contínuos e mais equilibrados entre os países. Também destacaram que a preparação para novas emergências sanitárias não deve ocorrer apenas quando uma crise já estiver instalada.

Entre as prioridades estão o fortalecimento dos sistemas nacionais de saúde, a ampliação da vigilância epidemiológica, a formação de profissionais, a melhoria dos laboratórios e o desenvolvimento de mecanismos capazes de identificar rapidamente novas ameaças.

Os líderes também reforçaram a necessidade de ampliar a produção regional de vacinas, medicamentos e testes. Durante a pandemia de Covid-19, países mais pobres enfrentaram dificuldades para ter acesso aos produtos disponíveis, enquanto as nações mais ricas concentraram grande parte dos primeiros estoques.

Desde 2023, algumas medidas foram adotadas. Entre elas estão alterações no Regulamento Sanitário Internacional, novos centros de vigilância de epidemias e o Acordo sobre Pandemias aprovado pelos integrantes da Organização Mundial da Saúde em 2025.

Entretanto, uma parte importante desse acordo ainda precisa ser concluída. Os países negociam as regras para o compartilhamento de agentes patogênicos com potencial de provocar pandemias e para a distribuição dos benefícios resultantes de pesquisas, como vacinas, medicamentos e diagnósticos.

A proposta procura garantir que os países que compartilham amostras e informações necessárias ao desenvolvimento científico também tenham acesso aos produtos criados a partir desses dados. As diferenças entre os governos ainda impedem a conclusão dessa etapa.

A expectativa é que o anexo seja analisado na Assembleia Mundial da Saúde prevista para maio de 2027. Somente depois dessa definição os países poderão avançar nos procedimentos nacionais de ratificação do acordo.

A declaração política discutida em Nova York também defende a chamada abordagem de Saúde Única, que considera conjuntamente a saúde humana, a saúde animal e as condições ambientais. A proposta parte do entendimento de que muitas ameaças sanitárias surgem da relação entre esses três elementos.

O documento ainda será encaminhado à Assembleia Geral da ONU para nova consideração. Portanto, os compromissos anunciados representam uma orientação política e dependem de decisões posteriores, financiamento e aplicação efetiva por parte dos governos.

O principal desafio será transformar as promessas internacionais em estruturas permanentes de prevenção. A experiência da Covid-19 demonstrou que uma emergência sanitária pode atravessar fronteiras rapidamente e produzir consequências humanas, sociais e econômicas em todo o mundo.