Economia

Governo reduz previsão de crescimento do PIB para 2% em 2026

Ministério da Fazenda reduziu de 2,3% para 2% a estimativa de crescimento da economia brasileira. Projeção de inflação também caiu, mas permanece acima do teto da meta.

Por Saulo Bezerra · 23 de setembro de 2026 · 11h15
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Composição sobre a economia brasileira com o Ministério da Fazenda, Congresso Nacional, cédulas e moedas de real. Gráfico mostra a redução da previsão de crescimento do PIB de 2,3% para 2%, enquanto a estimativa de inflação aparece em 4,9%.

O Ministério da Fazenda reduziu de 2,3% para 2% a previsão de crescimento da economia brasileira em 2026. A nova estimativa foi apresentada pela Secretaria de Política Econômica no Boletim Macrofiscal de setembro.

A revisão indica que a atividade econômica deverá crescer menos do que o governo esperava anteriormente. O principal motivo foi o desempenho mais fraco dos setores de serviços e da indústria.

A melhora esperada para a agropecuária compensou parte da redução, mas não foi suficiente para manter a projeção anterior.

O Produto Interno Bruto, o PIB, representa a soma dos bens e serviços produzidos no país. Quando sua previsão é reduzida, isso significa que o governo espera uma expansão mais lenta da economia.

Esse movimento pode ser percebido pelas famílias e pelas empresas por meio de um consumo mais moderado, menor ritmo de investimentos e mais cautela na criação de empregos.

Segundo o Ministério da Fazenda, os juros elevados contribuíram para a desaceleração. Uma taxa Selic alta encarece o crédito, dificulta compras parceladas e aumenta o custo dos financiamentos para empresas e consumidores.

A previsão oficial para a inflação de 2026 também foi alterada. A estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, caiu de 5,1% para 4,9%.

Apesar da redução, o número ainda permanece acima do teto da meta de inflação, fixado em 4,5%. A melhora foi influenciada principalmente por resultados mais favoráveis nos preços dos alimentos consumidos em casa e, em menor proporção, nos serviços.

A combinação de crescimento menor e inflação em desaceleração apresenta dois lados. A redução da pressão sobre os preços ajuda a preservar o poder de compra da população, mas uma economia mais fraca pode limitar investimentos, produção e geração de oportunidades.

Para 2027, a Secretaria de Política Econômica também diminuiu a previsão de crescimento do PIB, de 2,5% para 2,3%.

A expectativa do governo é que a redução gradual dos juros produza efeitos positivos sobre o crédito, o consumo e os investimentos. Esses resultados, porém, dependem da continuidade da queda da inflação e da confiança na condução das contas públicas.

Na inflação, a previsão para 2027 subiu de 3,6% para 3,8%. O governo considera que um fenômeno El Niño mais intenso poderá afetar a produção agrícola e pressionar os preços dos grãos e das carnes.

As novas projeções reforçam a necessidade de equilíbrio entre o controle da inflação e a recuperação da atividade econômica. O desafio será reduzir os juros sem permitir uma nova aceleração dos preços.

Os dados foram divulgados pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda no Boletim Macrofiscal de setembro de 2026.