Flávio lidera Lula em São Paulo, Rio e Distrito Federal; Minas tem empate
Pesquisa Datafolha mostra diferenças regionais importantes na disputa presidencial. Lula mantém ampla vantagem em Pernambuco, enquanto os dois principais candidatos aparecem tecnicamente empatados no cenário nacional.
Uma nova rodada do Datafolha mostra que a disputa pela Presidência apresenta diferenças expressivas entre os principais estados brasileiros. Flávio Bolsonaro lidera as intenções de voto em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém ampla vantagem em Pernambuco. Em Minas Gerais, os dois aparecem tecnicamente empatados.
Os resultados ajudam a compreender como a força eleitoral de cada candidato está distribuída pelo país. Embora Lula e Flávio estejam próximos no levantamento nacional, os números estaduais revelam cenários bastante distintos e indicam onde cada campanha enfrentará seus maiores desafios.
Flávio abre vantagem em São Paulo
Em uma simulação de segundo turno em São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil, Flávio Bolsonaro aparece com 47% das intenções de voto, contra 42% de Lula.
A diferença é relevante, mas ainda exige cautela, considerando a margem de erro da pesquisa. No primeiro turno, o cenário paulista também é equilibrado: Flávio registra 35% e Lula, 33%.
São Paulo possui peso decisivo em qualquer eleição presidencial. Além de concentrar o maior número de eleitores, o estado costuma influenciar o debate econômico e político nacional. Uma vantagem paulista poderá compensar eventuais perdas de Flávio em regiões onde Lula permanece mais forte.
Rio e Distrito Federal favorecem Flávio
No Rio de Janeiro, estado de origem política da família Bolsonaro, Flávio alcança 49% em uma disputa de segundo turno, enquanto Lula aparece com 41%.
A maior vantagem do candidato do PL entre os locais pesquisados ocorre no Distrito Federal. Flávio registra 51%, contra 39% do presidente.
O resultado no Distrito Federal coincide com a avaliação negativa do governo Lula entre os entrevistados da região. Apenas 26% classificam a administração como ótima ou boa, enquanto 51% a consideram ruim ou péssima.
Minas Gerais permanece dividida
Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, Lula aparece com 46% e Flávio Bolsonaro com 45%. A diferença de apenas um ponto percentual configura empate técnico.
Minas tem um papel historicamente importante nas eleições presidenciais. Por possuir um eleitorado numeroso e socialmente diversificado, o desempenho no estado costuma funcionar como um indicador da capacidade dos candidatos de alcançar diferentes grupos da população.
Diante do equilíbrio registrado, as duas campanhas deverão dedicar atenção especial aos eleitores mineiros durante as semanas restantes até o primeiro turno.
Lula conserva ampla vantagem em Pernambuco
Pernambuco apresenta o cenário mais favorável ao presidente. Lula possui 61% das intenções de voto no segundo turno, enquanto Flávio registra 30%.
O estado natal do presidente continua sendo uma de suas principais bases políticas. A avaliação do governo também é mais positiva em Pernambuco do que nos demais locais pesquisados: 46% consideram a administração ótima ou boa, e 31% a classificam como ruim ou péssima.
A vantagem pernambucana demonstra a força de Lula no Nordeste, mas também evidencia a necessidade de ampliar seu desempenho nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
Avaliação do governo acompanha diferenças regionais
Os números da avaliação presidencial ajudam a explicar parte das intenções de voto.
Em São Paulo, 25% dos entrevistados consideram o governo Lula ótimo ou bom, enquanto 48% o avaliam como ruim ou péssimo. No Rio de Janeiro, a aprovação é de 27%, e a avaliação negativa chega a 50%.
Minas Gerais apresenta um quadro menos desfavorável ao presidente: 34% avaliam positivamente sua gestão e 43% a classificam como ruim ou péssima.
Essas diferenças mostram que a campanha eleitoral não será disputada da mesma maneira em todas as regiões. Lula precisará reduzir sua rejeição nos maiores colégios eleitorais do Sudeste, enquanto Flávio terá de avançar em áreas onde o presidente conserva forte identificação política e social.
Disputa nacional continua aberta
No levantamento nacional, Lula aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 35%. Em uma simulação de segundo turno, o presidente registra 46% e Flávio, 44%, resultado considerado empate técnico.
A proximidade indica que nenhum dos candidatos possui vantagem suficiente para considerar a eleição definida. O desempenho regional, a capacidade de conquistar eleitores indecisos e os acontecimentos políticos das próximas semanas poderão alterar o equilíbrio atual.
As campanhas também precisarão observar os diferentes motivos que orientam o eleitorado. Economia, segurança pública, avaliação do governo, rejeição aos candidatos e a crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal deverão permanecer entre os temas centrais.
Próximos passos
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, Lula e Flávio terão pouco tempo para reduzir suas fragilidades regionais.
Flávio deverá buscar crescimento no Nordeste e entre os eleitores de menor renda. Lula, por sua vez, precisará recuperar terreno em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, sem perder a vantagem que mantém em sua principal base eleitoral.
As próximas pesquisas permitirão verificar se os resultados estaduais representam uma tendência consolidada ou apenas uma fotografia momentânea da disputa.
O levantamento Datafolha foi realizado entre 8 e 10 de setembro e encomendado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo. Os resultados devem ser interpretados considerando as margens de erro informadas para cada pesquisa estadual.
