Política

Eleitores não polarizados priorizam saúde e segurança, aponta BTG/Nexus

Grupo representa 19% dos entrevistados e concentra suas principais preocupações em serviços públicos, violência, educação e combate à corrupção.

Por Saulo Bezerra · 14 de setembro de 2026 · 11h45
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Cidadã conversa com profissional de saúde em uma unidade de atendimento, enquanto uma equipe de segurança pública aparece discretamente do lado de fora.

Uma parcela equivalente a 19% dos eleitores brasileiros afirma não se alinhar nem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem a Flávio Bolsonaro. Entre esses entrevistados, saúde pública e segurança aparecem como as principais preocupações, segundo levantamento realizado pelo instituto Nexus, a pedido do BTG Pactual.

A pesquisa ajuda a identificar o que pensa um grupo que poderá ter importância estratégica na disputa presidencial. Diferentemente dos eleitores mais identificados com os dois principais campos políticos, os não polarizados demonstram maior preocupação com problemas cotidianos e com a qualidade dos serviços públicos.

Saúde lidera as prioridades

A saúde pública foi mencionada por 40% dos eleitores não polarizados. O resultado mostra que questões como atendimento médico, disponibilidade de exames, funcionamento dos hospitais e acesso a medicamentos continuam entre as maiores preocupações da população.

Em segundo lugar aparece a segurança pública, acompanhada das preocupações com violência e criminalidade, citada por 31% desse grupo.

Educação foi mencionada por 20%, enquanto o combate à corrupção apareceu nas respostas de 19% dos entrevistados não alinhados aos dois principais candidatos.

Como a pesquisa permitiu mais de uma menção por participante, os percentuais não devem ser somados como se representassem escolhas exclusivas.

Economia também preocupa

Problemas diretamente relacionados à economia aparecem em posições posteriores, mas continuam relevantes. Desemprego e baixo crescimento foram mencionados por 13% dos entrevistados, enquanto inflação e custo de vida receberam 10% das citações.

Desigualdade social e pobreza foram lembradas por 8%. Outros 8% mencionaram críticas à classe política, enquanto impostos foram citados por 6% e fome ou insegurança alimentar por 4%.

Os números indicam que o eleitor não polarizado não está afastado do debate econômico. Entretanto, suas preocupações aparecem associadas principalmente aos efeitos concretos das políticas públicas sobre o cotidiano.

Quem são os não polarizados

Para o levantamento, são considerados não polarizados os entrevistados que não se identificam nem com Lula nem com Flávio Bolsonaro.

Isso não significa necessariamente que todos estejam indecisos ou que não possuam preferências políticas. O conceito reúne eleitores que, neste momento, não demonstram alinhamento firme com nenhum dos dois principais polos da disputa.

Segundo a pesquisa, essa parcela é mais expressiva entre desempregados e trabalhadores com carteira assinada. Cerca de metade dos integrantes do grupo possui renda familiar de até dois salários mínimos.

Esse perfil ajuda a explicar a prioridade atribuída à saúde, à segurança e à educação, áreas nas quais a qualidade dos serviços públicos produz efeitos diretos sobre a vida das famílias.

Disputa por propostas concretas

Os dados mostram que conquistar esses eleitores exigirá mais do que discursos voltados exclusivamente para a rejeição ao adversário.

Lula, Flávio Bolsonaro e os demais candidatos precisarão apresentar propostas concretas para reduzir filas na saúde, melhorar a segurança pública, recuperar a qualidade da educação e combater a corrupção.

Também será necessário explicar de onde virão os recursos, quais medidas poderão ser executadas e em quanto tempo os resultados poderão aparecer.

Em uma eleição marcada pela polarização, o levantamento sugere que existe uma parcela do eleitorado mais interessada na capacidade dos candidatos de resolver problemas objetivos do que nas disputas políticas permanentes.

Importância eleitoral

O grupo de não polarizados não deve ser tratado automaticamente como um bloco homogêneo ou como responsável antecipadamente pela definição da eleição. Seus integrantes possuem diferentes condições sociais, posições políticas e critérios de escolha.

Ainda assim, em uma disputa competitiva, a capacidade de dialogar com quase um quinto dos entrevistados poderá representar uma vantagem importante.

A pesquisa também reforça que os levantamentos eleitorais não precisam se limitar à comparação entre candidatos. Conhecer as prioridades da população permite avaliar se os programas apresentados durante a campanha respondem aos problemas considerados mais urgentes.

Próximos passos

A partir de agora, será importante observar como os candidatos transformarão esses temas em propostas de governo.

Novas pesquisas poderão mostrar se o grupo permanece distante dos dois principais polos, se começa a definir seu voto ou se altera suas prioridades conforme o avanço da campanha.

O levantamento do Nexus foi realizado por telefone entre 4 e 7 de setembro, com 2.002 entrevistados. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06790/2026.

Os resultados foram divulgados pelo BTG Pactual e publicados pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo. Os percentuais representam as respostas registradas no momento da pesquisa e não constituem previsão do resultado eleitoral.