Congresso

Deputados à reeleição concentram 33% dos recursos destinados à Câmara

Parlamentares que tentam permanecer no cargo representam menos de 6% dos candidatos, mas já receberam mais de R$ 1 bilhão. Na média, dispõem de quase oito vezes mais recursos que os demais concorrentes.

Por Saulo Bezerra · 27 de setembro de 2026 · 11h34
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Prédio do Congresso Nacional diante de uma mesa com computador, calculadora, documentos e gráficos financeiros. A imagem destaca que deputados à reeleição concentram quase 33% dos recursos destinados às campanhas para a Câmara.

Deputados federais que disputam a reeleição concentram uma parcela expressiva dos recursos destinados às campanhas para a Câmara. Embora representem menos de 6% dos candidatos ao cargo, eles receberam aproximadamente 33% de todas as receitas declaradas até o momento.

O levantamento foi realizado pelo portal Congresso em Foco com base nos dados apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral. Foram identificados 434 deputados em exercício entre as 7.364 candidaturas analisadas.

Juntos, os parlamentares que procuram renovar o mandato receberam R$ 1,02 bilhão. O valor corresponde a 32,7% dos R$ 3,12 bilhões declarados pelas campanhas para deputado federal. Os outros 6.930 candidatos dividem cerca de R$ 2,1 bilhões.

A diferença aparece com mais clareza quando se calcula a receita média por candidatura. Cada deputado que busca a reeleição recebeu, em média, R$ 2,35 milhões, enquanto os demais concorrentes registraram aproximadamente R$ 303 mil. A relação é de 7,8 para 1.

A concentração também pode ser observada entre as campanhas com maior volume de recursos. Os dez candidatos a deputado federal com as maiores receitas já ocupam uma cadeira na Câmara. Entre os cem mais financiados, 67 são parlamentares em exercício.

Boa parte do dinheiro das campanhas é distribuída pelos próprios partidos. Em 2026, o Fundo Especial de Financiamento de Campanha dispõe de aproximadamente R$ 4,96 bilhões. Depois de receberem suas parcelas, as direções partidárias definem os critérios para repassar os recursos aos candidatos.

A legislação não determina que o dinheiro seja dividido igualmente entre todas as candidaturas. Os partidos devem cumprir as reservas estabelecidas para mulheres e para candidatos negros e indígenas, mas podem priorizar nomes considerados mais competitivos dentro de sua estratégia eleitoral.

Deputados em exercício costumam apresentar vantagens que influenciam essa decisão: possuem votação anterior conhecida, maior exposição pública, bases políticas organizadas e estruturas de campanha já estabelecidas.

Os números, isoladamente, não demonstram irregularidade nos repasses. Também não permitem afirmar que ocupar um mandato tenha sido o único motivo para cada transferência. Entretanto, revelam uma diferença significativa nas condições financeiras de candidatos que disputam o mesmo cargo.

Dinheiro não garante vitória eleitoral. Propostas, alianças, presença regional, rejeição e capacidade de comunicação também influenciam o resultado. Ainda assim, uma campanha com mais recursos pode contratar equipes, produzir material, realizar deslocamentos e alcançar um número maior de eleitores.

A concentração financeira não impede a renovação da Câmara, mas cria uma dificuldade adicional para candidatos que ainda não possuem mandato. Cabe ao eleitor avaliar não apenas a força das campanhas, mas também a atuação, as propostas e o histórico de cada concorrente.

Os valores utilizados no levantamento correspondem às receitas declaradas ao TSE até 23 de setembro e não às despesas efetivamente realizadas. Como as prestações de contas continuam sendo atualizadas, os números poderão sofrer alterações até o encerramento da eleição.