Justiça

Decisão de Dino amplia tensão entre STF e TSE na reta final eleitoral

Ministro do STF derrubou ordem de André Mendonça que determinava a retirada de uma postagem sobre Nossa Senhora Aparecida. O episódio aumentou o debate sobre os limites de atuação das duas cortes e entrou na pauta de reunião entre Edson Fachin e ministros que também integram o TSE.

Por Saulo Bezerra · 28 de setembro de 2026 · 10h35
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Montagem mostra Flávio Dino diante do prédio do STF e André Mendonça diante do TSE. A arte destaca: “Dino reverte decisão do TSE — tensão entre as cortes”.

Uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, aumentou a tensão institucional com o Tribunal Superior Eleitoral. Dino suspendeu os efeitos de uma determinação do ministro André Mendonça que obrigava a retirada de uma postagem publicada pelo humorista Antonio Tabet sobre Nossa Senhora Aparecida.

A publicação utilizava uma representação da santa acompanhada de uma mensagem crítica, mas não mencionava diretamente o candidato Flávio Bolsonaro nem integrantes de sua família. A campanha do senador recorreu à Justiça Eleitoral sustentando que o conteúdo poderia associá-lo a práticas criminosas e influenciar negativamente os eleitores.

Ao analisar o pedido, André Mendonça determinou que a postagem fosse retirada da rede social X. A decisão também alcançava conteúdos semelhantes e estabelecia multa diária de R$ 30 mil em caso de descumprimento.

Antonio Tabet recorreu ao Supremo. Flávio Dino considerou que a postagem estava protegida pelas liberdades de expressão, crítica e manifestação religiosa. O ministro observou ainda que o conteúdo não apresentava referência nominal ao candidato ou à sua família.

Com a decisão, a publicação foi restabelecida. O episódio, entretanto, ultrapassou a discussão específica sobre o conteúdo divulgado e abriu um novo debate sobre os limites de atuação do STF diante de decisões tomadas por integrantes do Tribunal Superior Eleitoral.

A questão central é definir em quais circunstâncias uma decisão individual da Justiça Eleitoral pode ser revista pelo Supremo, especialmente durante o período de campanha. Também existem questionamentos sobre a competência adequada para analisar esse tipo de recurso e sobre a necessidade de preservar a autonomia institucional das duas cortes.

Diante da repercussão, o presidente do STF, Edson Fachin, deve reunir-se nesta segunda-feira com André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli. Os três ministros do Supremo também integram o Tribunal Superior Eleitoral.

Entre os assuntos que devem ser discutidos estão a relação entre as duas cortes, a distribuição de processos eleitorais e o risco de decisões conflitantes durante a campanha. A preocupação é evitar que divergências internas prejudiquem a segurança jurídica e o funcionamento da Justiça Eleitoral.

O caso ainda poderá passar por novas análises. A decisão de Flávio Dino tratou da retirada imediata da postagem e não encerra todas as discussões jurídicas relacionadas ao conteúdo ou às competências institucionais envolvidas.

As informações foram divulgadas pela Agência Brasil e por veículos da imprensa nacional. O episódio continuará sendo acompanhado porque poderá influenciar a forma como STF e TSE atuarão diante de novos conflitos durante o processo eleitoral.