Política

Debate ao Senado por São Paulo expõe divisões entre candidatos da direita.

Primeiro confronto televisionado reuniu sete candidatos, teve embates entre nomes ligados à direita e críticas às candidatas apoiadas por Lula. Segurança pública, crise no STF e reforma do Judiciário estiveram entre os principais temas.

Por Saulo Bezerra · 10 de setembro de 2026 · 11h35
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Sete candidatos participam de debate ao Senado por São Paulo em um estúdio de televisão.

O primeiro debate televisionado entre candidatos ao Senado por São Paulo foi marcado por confrontos entre representantes de diferentes campos políticos e também por divergências entre nomes identificados com a direita.

Participaram do encontro André do Prado (PL), Geraldo Rufino (Podemos), Guilherme Derrite (PP), Marina Silva (Rede), Ricardo Salles (Novo), Simone Tebet (PSB) e Soninha Francine (Cidadania). Em 2026, os eleitores paulistas escolherão dois senadores.

Embates dentro da direita

Embora parte das discussões tenha colocado candidatos da direita contra nomes apoiados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também ocorreram ataques entre os próprios representantes desse campo político.

Ricardo Salles, André do Prado e Guilherme Derrite trocaram críticas relacionadas às trajetórias partidárias, às alianças políticas e à coerência de seus posicionamentos. O debate demonstrou que a disputa pelo eleitor conservador deverá ser intensa durante a campanha.

Essa fragmentação pode beneficiar as candidaturas ligadas à esquerda e ao governo federal, especialmente se os candidatos da direita concentrarem esforços em atacar uns aos outros em vez de apresentar diferenças programáticas claras.

Segurança pública em destaque

A segurança pública foi um dos principais assuntos do confronto. Simone Tebet questionou a atuação de Guilherme Derrite na área e mencionou o crescimento do crime organizado em São Paulo.

Derrite defendeu sua experiência no setor e rebateu as críticas. O tema possui importância especial na disputa porque a segurança pública está entre as maiores preocupações dos eleitores paulistas e deverá ocupar espaço significativo ao longo da campanha.

Crise no STF e reforma do Judiciário

A crise no Supremo Tribunal Federal também apareceu no debate. André do Prado defendeu a possibilidade de abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte, enquanto Marina Silva afirmou que o país precisa discutir uma reforma do Judiciário.

O assunto reforçou a importância política da eleição para o Senado. Cabe aos senadores analisar pedidos de impeachment de ministros do STF, além de aprovar ou rejeitar indicações para os tribunais superiores.

Disputa permanece aberta

Levantamento recente do instituto Quaest mostrou Marina Silva e Guilherme Derrite com 14% das intenções de voto, seguidos por Simone Tebet, com 12%. Os três aparecem tecnicamente empatados considerando a margem de erro da pesquisa.

O número elevado de eleitores ainda indecisos indica que o cenário permanece aberto. Como São Paulo escolherá dois senadores, alianças, desempenho nos debates e capacidade de mobilização poderão exercer influência decisiva no resultado.

O primeiro confronto revelou que a disputa não ocorrerá apenas entre direita e esquerda. Também haverá uma competição direta dentro de cada campo político pelo voto dos eleitores que possuem posições semelhantes.

Para os candidatos da direita, o principal desafio será apresentar propostas e diferenças sem transformar a disputa interna em um conflito capaz de enfraquecer todo o grupo. Para o eleitor, os próximos debates serão importantes para avaliar não apenas os discursos, mas também a experiência, a coerência e os compromissos assumidos por cada candidato.

As informações sobre o debate e a pesquisa eleitoral foram divulgadas pelo UOL, pela Folha de S.Paulo e por veículos nacionais de imprensa.