Copom vê economia mais fraca e mantém cautela com novos cortes de juros
Ata divulgada pelo Banco Central aponta desaceleração da atividade econômica e da inflação, mas mantém o alerta sobre riscos fiscais e evita antecipar novos cortes na taxa Selic.
O Comitê de Política Monetária do Banco Central afirmou que a atividade econômica brasileira apresenta sinais mais claros de desaceleração, refletindo os efeitos dos juros elevados sobre o consumo, o crédito e os investimentos.
A avaliação consta na ata da última reunião do Copom, divulgada nesta terça-feira. No encontro realizado na semana passada, o Comitê reduziu a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual.
Segundo o documento, a economia perdeu força principalmente nos setores e nas modalidades de crédito mais sensíveis ao ciclo econômico. O Produto Interno Bruto cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, depois de avançar 1,1% nos três primeiros meses do ano.
A inflação também apresentou desaceleração. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,22% até agosto, permanecendo abaixo do teto de tolerância de 4,5%, mas ainda distante da meta central de 3%.
Apesar desses sinais, o Banco Central evitou assumir compromisso com novos cortes. A autoridade monetária afirmou que as próximas decisões dependerão da evolução da inflação, da atividade econômica, das expectativas do mercado e do cenário internacional.
O Copom também voltou a demonstrar preocupação com as contas públicas. Para o Comitê, a falta de disciplina fiscal, o crescimento do crédito direcionado e as incertezas sobre a dívida pública podem elevar o risco da economia e dificultar uma redução mais rápida dos juros.
Na prática, a ata indica que o ciclo de cortes poderá continuar, mas de maneira lenta e condicionado aos próximos indicadores. O Banco Central procura reduzir os juros sem permitir que a inflação volte a ganhar força.
Juros menores podem aliviar o custo do crédito para famílias e empresas e favorecer a atividade econômica. Entretanto, sem equilíbrio fiscal e controle dos gastos públicos, esse processo tende a ser mais limitado e demorado.
A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 3 e 4 de novembro. Até lá, novos dados sobre inflação, emprego, atividade econômica e contas públicas deverão orientar a decisão da autoridade monetária.
