Política

Campanhas destinam R$ 167 milhões à Meta e superam gasto de 2022

A dez dias do primeiro turno, candidatos já destinaram R$ 167,3 milhões ao impulsionamento de conteúdos no Facebook, Instagram e WhatsApp. Lula lidera o ranking individual de gastos.

Por Saulo Bezerra · 24 de setembro de 2026 · 10h42
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Composição mostra um celular com publicações políticas, cédulas de real, gráfico de crescimento e o Congresso Nacional, destacando que as campanhas já destinaram R$ 167 milhões a anúncios nas redes sociais.

As campanhas eleitorais brasileiras já destinaram R$ 167,3 milhões à Meta para impulsionar conteúdos no Facebook, Instagram e WhatsApp. O valor foi declarado pelos candidatos à Justiça Eleitoral e supera o total investido durante toda a eleição de 2022.

Os dados foram divulgados a dez dias do primeiro turno das eleições de 2026. Em valores atualizados pela inflação, a Meta recebeu R$ 155,4 milhões das campanhas há quatro anos.

O impulsionamento consiste no pagamento realizado pelas campanhas para ampliar o alcance de uma publicação e direcioná-la a determinados públicos. Quando identificado e declarado de acordo com as regras eleitorais, esse recurso é permitido pela legislação e não representa, por si só, qualquer irregularidade.

O crescimento dos gastos revela, porém, uma mudança importante na maneira como as campanhas procuram alcançar os eleitores. Entre as eleições presidenciais de 2018 e 2026, as despesas com impulsionamento aumentaram 316%.

Considerando as cinco eleições realizadas desde 2018, entre disputas nacionais e municipais, a Meta já recebeu R$ 613,6 milhões em anúncios eleitorais. A eleição municipal de 2024 ainda mantém o maior valor registrado, com R$ 207,6 milhões em valores corrigidos.

O total de 2026 poderá se aproximar ou ultrapassar essa marca. As campanhas ainda possuem despesas dos últimos dias antes do primeiro turno, de um eventual segundo turno e valores que podem ser declarados posteriormente.

Segundo a Biblioteca de Anúncios da Meta, Lula lidera o ranking individual dos últimos 30 dias, com R$ 4,7 milhões destinados ao aumento do alcance de suas publicações.

Na sequência aparecem Elmano de Freitas, candidato à reeleição ao governo do Ceará, com aproximadamente R$ 3,3 milhões; Tarcísio de Freitas, candidato à reeleição em São Paulo, com R$ 1,9 milhão; e Fernando Haddad, candidato ao governo paulista, com R$ 1,4 milhão.

Simone Tebet, candidata ao Senado por São Paulo, também investiu cerca de R$ 1,4 milhão. Ciro Gomes, candidato ao governo do Ceará, e Fábio Teruel, candidato a deputado federal, aparecem com aproximadamente R$ 1,3 milhão cada.

Entre os candidatos à Presidência, Flávio Bolsonaro aparece depois de Lula nos gastos com a Meta, com cerca de R$ 702 mil no período analisado. Os valores individuais referem-se ao intervalo entre 22 de agosto e 20 de setembro e podem mudar conforme novas despesas sejam registradas.

As plataformas digitais oferecem às campanhas a possibilidade de selecionar regiões, faixas etárias e perfis de público. Essa capacidade torna a publicidade mais direcionada, mas também amplia o debate sobre transparência, critérios dos algoritmos e desigualdade de alcance entre candidatos com diferentes estruturas financeiras.

A utilização de recursos públicos e privados declarados pelas campanhas para pagar plataformas estrangeiras também provoca questionamentos. Especialistas defendem maior transparência sobre a distribuição dos anúncios e sobre a forma como as plataformas calculam o alcance contratado.

Por outro lado, as redes sociais se tornaram um dos principais meios de informação utilizados pelos eleitores. Para as campanhas, deixar de investir nesses espaços pode significar dificuldade para apresentar propostas e alcançar pessoas que já não acompanham a propaganda eleitoral pelos meios tradicionais.

O gasto recorde não demonstra, isoladamente, a eficiência das campanhas nem permite concluir que o candidato que investe mais conquistará mais votos. Ele mostra, sobretudo, que a disputa eleitoral brasileira passou a depender cada vez mais das plataformas digitais e da capacidade financeira de ampliar a circulação de mensagens.