Política

Abin alerta governo e TSE sobre pressão dos EUA nas eleições

Segundo a Folha de S.Paulo, relatório reservado da agência classifica como crítico o risco de aumento da pressão americana no processo eleitoral brasileiro.

Por Saulo Bezerra · 19 de setembro de 2026 · 10h16
Compartilhe:
Bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos ao lado de documentos reservados e mapa digital, com o Congresso Nacional ao fundo.

Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) alertou a Presidência da República, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Ministério da Justiça sobre uma possível escalada da pressão dos Estados Unidos no contexto das eleições brasileiras de 2026.

A informação foi divulgada pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, neste sábado (19). Segundo a reportagem, o documento foi encaminhado às autoridades no fim de agosto e atribui um “nível de criticidade” ao risco de influência e interferência externa no processo eleitoral.

A avaliação da Abin relaciona o cenário à política externa do segundo governo de Donald Trump, que busca ampliar a influência dos Estados Unidos na América Latina e limitar a presença da China em setores considerados estratégicos.

O relatório também menciona sanções aplicadas pelos Estados Unidos a brasileiros e empresas. Na interpretação da agência, essas medidas podem produzir efeitos econômicos e financeiros e aumentar a capacidade de pressão americana sobre pessoas e instituições no Brasil.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, aparece com destaque na análise. De acordo com a reportagem, a Abin considera que parte das manifestações do secretário personaliza as divergências entre os dois países e atribui diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a responsabilidade pelos impasses bilaterais.

O documento ainda recorda uma proposta apresentada pelo governo americano durante negociações anteriores. O texto defendia garantias para a participação de pessoas classificadas pelos Estados Unidos como “dissidentes políticos” nas eleições brasileiras. O governo brasileiro rejeitou a proposta.

É importante distinguir pressão política ou diplomática de interferência direta nas urnas. As informações divulgadas não demonstram manipulação do sistema de votação nem alteração de resultados eleitorais. O relatório apresenta uma avaliação preventiva de inteligência sobre riscos ao ambiente político e institucional.

Em julho, o governo dos Estados Unidos negou que pretendesse interferir ou comprometer as eleições brasileiras. Na ocasião, o Departamento de Estado afirmou que suas iniciativas estavam relacionadas a debates sobre liberdade de expressão, liberdade religiosa e integridade eleitoral.

Como o relatório da Abin é reservado e não foi divulgado integralmente, seu conteúdo é conhecido por meio da reportagem que teve acesso ao documento. Até o momento, não há informação pública de que o TSE tenha confirmado ou contestado suas conclusões.

Fonte: Folha de S.Paulo, reportagem publicada em 19 de setembro de 2026.