Política

Pesquisas no mesmo período podem apresentar resultados diferentes? Entenda

Levantamentos recentes mostram números diferentes na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. Metodologia, amostra e margem de erro ajudam a explicar as variações.

Por Saulo Bezerra · 19 de setembro de 2026 · 10h08
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Gráficos de diferentes pesquisas eleitorais sobre uma mesa, observados por uma lupa, com o Congresso Nacional ao fundo.

Uma publicação compartilhada nas redes sociais reuniu resultados de cinco pesquisas sobre um eventual segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. A imagem destaca que o senador aparece numericamente à frente em quatro dos cinco levantamentos apresentados.

A afirmação exige contexto. As pesquisas foram divulgadas em um período próximo, mas não necessariamente realizaram suas entrevistas nos mesmos dias nem utilizaram a mesma metodologia.

No Datafolha, Lula aparece com 46% e Flávio Bolsonaro com 44%. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado representa empate técnico.

A pesquisa Atlas/Bloomberg também aponta empate técnico: Flávio registra 47,2%, enquanto Lula tem 46,8%. A diferença entre os dois é de apenas 0,4 ponto percentual.

Já a Futura/100% Cidades apresenta Flávio com 48,1% e Lula com 43,7%. Outros números divulgados na publicação, atribuídos ao PoderData e ao Gerp, também colocam Flávio numericamente à frente.

Por que existem diferenças?

Uma pesquisa eleitoral não consulta todos os eleitores brasileiros. Cada instituto seleciona uma amostra que procura representar a população. Além disso, podem variar:

• os dias em que as entrevistas foram realizadas;

• a quantidade e o perfil dos entrevistados;

• o método de coleta, que pode ser presencial, telefônico ou digital;

• a formulação e a ordem das perguntas;

• os critérios estatísticos usados para ajustar a amostra;

• a margem de erro de cada levantamento.

O Datafolha entrevistou 2.002 pessoas presencialmente nos dias 15 e 16 de setembro. A Futura ouviu 2.000 eleitores por telefone entre 11 e 15 de setembro. A Atlas/Bloomberg consultou 5.018 eleitores por recrutamento digital entre 11 e 16 de setembro.

Portanto, pesquisas divulgadas praticamente no mesmo dia podem produzir resultados diferentes sem que isso, isoladamente, demonstre fraude ou manipulação. Cada uma oferece uma estimativa baseada em sua própria amostra e metodologia.

O que os resultados permitem concluir?

A frase “Flávio aparece à frente em quatro de cinco cenários” descreve apenas a posição numérica mostrada na publicação. Entretanto, ela pode transmitir uma vantagem mais consolidada do que os dados permitem afirmar.

Em pelo menos alguns levantamentos, Lula e Flávio estão tecnicamente empatados. O conjunto das pesquisas indica uma disputa apertada, com variações entre os institutos, e não permite tratar o resultado da eleição como definido.

Para compreender o cenário eleitoral, o mais prudente é acompanhar a tendência de vários levantamentos ao longo do tempo, verificar as margens de erro e consultar as informações registradas no Tribunal Superior Eleitoral.

Fonte: comparação de pesquisas publicada pelo UOL em 18 de setembro de 2026 e dados metodológicos dos levantamentos registrados no TSE.